A obesidade é uma doença crônica, multifatorial caracterizada pelo excesso de gordura no corpo. Este acúmulo de gordura ocorre de forma lenta e progressiva, sempre que a oferta de alimentos for maior que o gasto de energia do indivíduo. A obesidade é definida através de um número chamado IMC (índice de massa corporal). O seu IMC é calculado a partir do sua altura e peso atual. Fórmula: P/Altura x Altura.
IMC | Interpretação |
Menor que 18,5 | Baixo Peso |
18,5-24,9 | Normal |
25-29,9 | Sobrepeso |
Maior que 30 | Obeso |
Além do cálculo do IMC é importante realizar a verificação da circunferência abdominal, pois o aumento deste índice se correlaciona ao acúmulo de gordura visceral, àquela considerada como grande vilã no surgimento da síndrome metabólica e das doenças cardiovasculares. A obesidade abdominal, ou centrípeta é diagnosticada quando esta medida ultrapassa 94 cm nos homens e 80cm nas mulheres.
Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. O levantamento é da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.
Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a obesidade é a causa de morte de 2,8 milhões de pessoas por ano, e que a obesidade abrevia a expectativa de vida destas pessoas em torno 10 anos, quando comparado aos não obesos.
Tanto a obesidade quanto o sobrepeso são considerados problemas de saúde pública pois estão associados a complicações como diabetes, pressão alta, colesterol elevado, doença cardíaca, derrame, pedra na vesícula, gota, artrose e vários tipos de câncer e está comprovadamente associada a mortalidade precoce.
A causa da obesidade é multifatorial, e em geral, é causada pela combinação do excesso alimentar com o sedentarismo e predisposição genética. O excesso de peso ocorre quando seu corpo recebe mais calorias do que consegue queimar por dia. Entretanto sabe-se que algumas pessoas ganham peso com maior facilidade do que outras. Em raras situações a obesidade pode ser causada por algum distúrbio hormonal como o hipotireoidismo, ou síndrome de Cushing, ou ainda associada ao uso de certos medicamentos para tratar o diabetes, doenças psiquiátricas ou doenças inflamatórias.
Não existe uma solução simples para tratar o excesso de peso ou uma pílula que cure a obesidade, entretanto existem tratamentos efetivos que ajudam a controlar esta condição. A obesidade necessita ser manejada a longo prazo, com a combinação de uma reeducação alimentar, aumento da atividade física mudança do estilo de vida e em alguns casos de medicamentos antiobesidade. Para alguns pacientes com obesidade mais acentuada, dita obesidade mórbida (IMC>40, ou >35 com comorbidades), a cirurgia bariátrica-“redução estômago” pode ser necessária diante da falha do tratamento clínico.
Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, reduziremos a ingesta calórica total e o ganho calórico decorrente. Dentre as diversas formas de orientação dietética, a mais aceita cientificamente é a dieta hipocalórica balanceada, na qual o paciente receberá uma dieta calculada com quantidades calóricas dependentes de sua atividade física, sendo os alimentos distribuídos em 5 a 6 refeições por dia, com aproximadamente 50 a 60% de carboidratos, 25 a 30% de gorduras e 15 a 20% de proteínas.
A atividade física também é um pilar fundamental do tratamento, pois além de aumentar o gasto energético, ativar o metabolismo, promove ainda redução do apetite e aumento da autoestima, além de prevenir o famoso efeito sanfona.
O paciente deve ser orientado a realizar exercícios regulares, pelo menos 150 minutos por semana, podendo-se dividir em 5 vezes de 30 minutos ou 3 vezes de 50 minutos, inicialmente leves e a seguir moderados.
As seguintes medidas são úteis para iniciar sua mudança de vida:
- Reduza o tamanho das porções
- Evite as comidas ricas em açúcar (bolos, tortas, bolachas, sorvete, refrigerante)
- Coma mais frutas, vegetais e grãos integrais.
- Retire a gordura visível das carnes (como a pele do frango, gordura da carne)
- Evite comidas fritas, dê preferencia a comidas grelhadas ou assadas.
- Faça pelo menos 30 minutos de atividade física diariamente
- Coma pelo menos 3 refeições ao dia e 2 pequenos lanches.
- Lembre-se sempre do conceito de ingerir alimentos de qualidade e na quantidade certa.
Tenha uma meta realista planejada, com o objetivo de perder pelo menos 5-10% inicialmente. A perda de peso leva tempo e as mudanças na alimentação e atividade física devem ser contínuas durante toda a vida!

A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, secretado exclusivamente à noite. Portanto, a atividade secretória da glândula pineal apresenta um ritmo circadiano relacionado com o período escuro (noite), cuja duração, variando ao longo do ano de acordo com as estações, determina um padrão secretório com variações diárias e sazonais . Desta forma, a pineal confere ritmos a uma série de funções neuroendócrinas que modula, determinando, por exemplo, o ciclo sono-vigília, a atividade reprodutora e a atividade metabólica de várias espécies.
A melatonina sempre foi conhecida como o hormônio do sono, entretanto nas ultimas 2 décadas diversos estudos têm apontado outras importantes funções de anti-oxidante, anti-envelhecimento e sobretudo funções na regulação do metabolismo energético.
Assim, animais ou indivíduos que apresentam ausência ou redução da produção de melatonina,(como acontece no envelhecimento, trabalhadores noturnos, iluminação excessiva, estresse) desenvolvem resistência insulínica, intolerância à glicose, distúrbios na secreção de insulina, dislipidemia, distúrbios do balanço energético e obesidade.
A melatonina participa da regulação do peso corporal através de vários mecanismos . Há evidências experimentais sólidas mostrando que a melatonina age regulando cada uma das etapas do balanço energético: a ingestão alimentar, o fluxo de energia para e dos estoques, e o dispêndio energético.
A melatonina é um hormônio que, principalmente por ação central, regula a ingestão alimentar reduzindo-a, ainda que ligeiramente; regula a produção e secreção de insulina, glucagon e cortisol, organizando, assim, o fluxo das reservas energéticas para e dos estoques; e, mais importantemente, aumenta o dispêndio energético, aumentando a massa e a atividade do tecido adiposo marrom e aumentando o escurecimento (browning) do tecido adiposo branco. Pode , portanto, ser visto como mais um fator hormonal antiobesogênico.
Para evitar a diminuição de melatonina, orienta-se que as pessoas não fiquem expostas à luz durante o período noturno, principalmente ao comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. Esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Em alguns casos a suplementação de melatonina é necessária.
Texto: Dra. Julia Appel
Referências: Cipolla-Neto, J; Amaral, FG; Afeche, SC; Tan, DX e Reiter, RJ. Melatonin, energy metabolism, and obesity: a review. J. Pineal Res. 2014.
Posicionamento SBEM, 2016

Nutrição Funcional é a forma de alimentação onde a priorizam-se os nutrientes que as células recebem, através da alimentação diária e não somente calorias ingeridas.
Mas o que são exatamente alimentos funcionais? Trata-se de alimentos que além de saciar a fome, também desempenham outras funções no organismo, no sentido de afastar ou tratar doenças, inclusive a obesidade, atualmente conhecida e tratada como uma doença inflamatória.
É nos alimentos funcionais, que encontramos o que é necessário para a manutenção celular. De qualquer forma, vale ressaltar, que somente a ingestão desses alimentos, não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis (sejam absorvidos). Para que os nutrientes possam ser utilizados pelas células, é necessário que existam condições químicas e fisiológicas adequadas para o alimento ser quebrado, absorvido, transportado, utilizado pelas células, e o que nosso corpo não necessitar ser excretado naturalmente. Qualquer dessas etapas que não funcionar, o organismo certamente apresentará carências nutricionais.
Para que as células sejam realmente nutridas e desempenhem suas funções efetivamente, prevenindo o aparecimento ou agravamento de doenças, deve-se aliar ao uso dos alimentos funcionais, o consumo adequado de água (35ml por kg peso corporal) e quando necessário utilizar a suplementação nutricional indicada para cada caso.
Na Nutrição Funcional leva-se em consideração a individualidade bioquímica, onde o tratamento é centrado no paciente e não na doença, realizando um levantamento das patologias na família (questões hereditárias); rotina diária (trabalho, atividade física...), exposição ou não a produtos tóxicos frequentemente, hábitos alimentares, quadro clínico, enfim, tudo o que é necessário saber, para entender onde estão os desequilíbrios nutricionais e de que maneira será a intervenção. Além dos sintomas físicos, também se analisa sintomas mentais e emocionais para que a abordagem nutricional seja realmente a mais adequada. Com base em todas essas questões avaliadas, orienta-se cada indivíduo de maneira efetiva, tratando os problemas existentes, promovendo a saúde e prevenindo doenças.
Com relação à perda de peso, através da Nutrição Funcional, sugere-se evitar os alimentos pró-inflamatórios (identificados na análise individual), pois já que a obesidade é uma doença inflamatória, retirando estes, promoveremos perda de peso de maneira saudável. Além disso, é possível aliar (dentro da necessidade e com base na avaliação individual) alimentos considerados termogênicos (que contribuem para a perda de peso, pois aceleram o metabolismo).
É importante reforçar, que nenhuma orientação é universal, cada pessoa tem sua individualidade bioquímica, por isso a tratamento dietoterápico é individual.
Orientações Nutricionais Funcionais
- Fazer em média 6 refeições por dia, em quantidades pequenas de alimentos;
- Evitar pular refeições;
- Iniciar as refeições pela salada, quando for o caso;
- Comer devagar e prestar atenção no que está comendo;
- Evitar alimentos gordurosos, como as frituras em geral, embutidos e alimentos a base de farinha de trigo branca. Pães e similares, sugere-se consumir as versões integrais;
- Consumir frutas variadas todos os dias;
- Ingerir 35ml de água por kg de peso corporal (considerando peso saudável), diariamente;
- Substituir arroz branco, pelo arroz integral, pois este contém fibra e proporcionará sensação de saciedade por mais tempo, além de contribuir para uma melhora na função intestinal e dos níveis de gordura;
- Evitar ir ao supermercado com fome;
- Evitar ter fácil acesso alimentos que não quer consumir;
- Quando consumir sucos, preferencialmente os naturais ou polpas congeladas ou as versões concentradas sem açúcar e conservantes;
- Quando quiser comer chocolate, preferencialmente as opções mais amargas (55% cacau ou mais);
- Preferir os temperos naturais como orégano, manjericão, alecrim, cardamomo, gengibre, tomilho etc;
- Substituir o açúcar branco por açúcar mascavo ou demerara;
- No caso de algum desconforto como dores de cabeça freqüentes, constipação, diarréia, sonolência durante o dia e sono ruim a noite, TPM acentuada, dores abdominais, gases, entre outros, procure um profissional para avaliar seus sinais e sintomas e sugerir as alterações no plano alimentar e assim corrigir possíveis deficiências nutricionais.
- Faça 5 a 6 refeições por dia, em pequenos volumes, para facilitar a digestão e diminuir o apetite.
- Estabeleça horário para as refeições, evitando beliscar ou pular refeições.
- Valorize seu café da manhã com a ingestão de alimentos saudáveis.
- Consuma as saladas antes das refeições principais, pois isso aumenta a saciedade e diminui a absorção de gorduras pelo corpo.
- Prefira as carnes magras, principalmente peixes e frangos e retire toda a pele ou gordura visível.
- Para temperar saladas evite molhos prontos a base de maionese ou excesso de azeite. Use azeite de oliva em pequena quantidade e temperos, como nha, cebolinha, alho, suco do limão e pimenta.
- Aumente o consumo de alimentos ricos em fibras (como frutas com casca, verduras, legumes crus, grãos, cereais integrais e leguminosas), pois ajudam trolar a fome, aumentam a saciedade e ajudam no funcionamento intestinal.
- Evite o açúcar, melado, mel, balas, doces, chocolates, sorvetes, tortas, pudins e bolachas recheadas, pois fornecem grande quantidade de calorias. inja seu consumo para dias especiais (aniversários).
- Evite fritura e molhos gordurosos, prefira os alimentos assados, grelhados ou cozidos.
- Prefira iogurte e leite desnatados e os queijos brancos (queijo frescal, ricota, cottage).
- Evite o consumo de alimentos ricos em gordura e sal ( maionese, creme de leite, nata, sopas prontas, embutidos (salsichas, linguiça, mortadela, etc).
- Evite utilizar a margarina, banha ou margarina para cozinhar, prefira o óleo de soja, canola, girassol ou oliva.
- Para beber, dê preferencia a água, sucos naturais sem açúcar (limonada), chás e eventualmente refrigerantes light ou zero. Evite o consumo de scos em pó, e refrigerantes comuns.
- Beba de 8 a 10 copos de água diariamente.
- Evite as bebidas alcóolicas, pois não possuem nutrientes, mas fornecem muitas calorias.
- Alimente-se em local adequado, sentado. Não come em pé ou andando
- Evite distrações enquanto come, por isso não se alimente vendo Tv ou lendo jornal, ou na frente do computador, pois tendemos a comer mais quando estamos distraídos.
- Pouse os talheres entre as bocadas e mastigue devagar os alimentos, pois o cérebro demora alguns minutos para perceber que estamos satisfeitos.
- Mantenha os alimentos saudáveis a vista e os alimentos problemáticos fora de visão.
- Quando for ao supermercado, prepare uma lista contendo apenas os alimentos saudáveis, uma alimentação saudável começa pelo supermercado! E lembre-se, nunca faça compras em jejum ou com fome.
- Quando sair para jantar, evite comer os couvert de entrada (que em geral são elaborados com pães e molhos a base de maionese), escolha um prato principal compatível com sua orientação nutricional (carne magra, com arroz e legumes) e evite a sobremesa.
- Faça exercício físico de forma regular, pois além de auxiliar diretamente no controle do peso, ele aumenta o bem estar, auto-estima e a saúde como um todo.
- Caso você cometa deslizes não significa que você é fraco ou incorrigível. Você não deve transformar um deslize num erro maior, continuando a comer o que quiser pelo resto do dia.
- Cuide para não se enganar, subestimar o que come. E evite ceder a pensamento sabotadores como: Eu sei que não devo comer isso,mas tudo bem por que... tive um dia difícil, é um dia especial, está todo mundo comendo, é um desperdício...
- Procure sempre diferenciar a fome do desejo de comer, pois o desejo passa, basta você tentar se focar em outra coisa, como sair para caminhar, telefonar para uma amiga, etc.