
8 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data criada para a conscientização e prevenção de doenças cardiovasculares, que são a primeira causa de mortalidade no Brasil.
COLESTEROL, ATEROSCLEROSE, E DIETA
1) O colesterol é essencial para a saúde do organismo, sendo utilizado na produção de hormônios esteróides, vitamina D, bile e formação de membranas celulares. Para chegar ao seu destino (glândulas, fígado) ele circula no sangue carregado por transportadores (lipoproteínas), sendo as mais importantes o LDL e HDL-colesterol.
2) O aumento persistente dos níveis de LDL-colesterol leva ao acúmulo progressivo de placas nas artérias (aterosclerose), processo que pode iniciar desde os 2 anos de idade. A aterosclerose resulta em aumento de risco de doença cardiovascular, AVC e infarto agudo do miocárdio. Em pessoas sem fatores de risco, os níveis normais de LDL no sangue devem ficar abaixo de 130mg/dL.
3) Cerca de 70% do colesterol circulante vem do fígado e apenas 30% é proveniente da absorção intestinal (alimentação). Os níveis de colesterol plasmáticos dependem, portanto, principalmente da capacidade do fígado em removê-lo, sendo influenciado por fatores individuais (genéticos) e presença de doenças como hipotireoidismo, hepatopatias, insuficiência renal.
4) As dietas “plant-based” correspondem à ingestão de menor quantidade de produtos de origem animal (carne, queijos, ovos). Quando substituídos por produtos de origem vegetal de bom valor nutricional (frutas, legumes e verduras, grão integrais), há potencial de melhora do perfil lipídico e diminuição do risco cardiovascular.
5) Para uma dieta saudável do ponto de vista cardiovascular, evitar o consumo excessivo de gordura saturada (carne vermelha, queijos amarelos, frituras) e gordura trans (alimentos ultraprocessados- biscoitos recheados, sorvetes, doces) é mais importante do que a restrição do consumo do colesterol alimentar em si.
6) Estudos recentes demonstraram efeito na suplementação com ômega 3 para redução de risco cardiovascular. Estes dados, entretanto, foram obtidos com o uso de uma formulação altamente purificada, em altas doses, em indivíduos com diabetes e aumento moderado de triglicerídeos. Para a população geral, as recomendações são de consumo 2 porções por semana de peixes ricos em ômega 3 (salmão, atum, anchovas, sardinha)
COLESTEROL E ESTATINAS
7) Para a grande maioria dos pacientes que têm indicação para receber tratamento com estatinas, o benefício do tratamento supera em muito os seus eventuais riscos. O tratamento é preventivo, permanente e reduz a mortalidade cardiovascular (em média, a cada 40mg/dL de redução de LDL-colesterol, a mortalidade por infarto reduz em 20%)
8) Não é necessário monitorar rotineiramente a creatina quinase sérica (CK) e as transaminases hepáticas em pacientes usuários de estatinas e assintomáticos.
9) Antes de se iniciar um tratamento para dislipidemia, é necessário s excluir causas secundárias. Fiquem atentos ao diagnóstico de hipotireodismo e sempre dosem o TSH antes de iniciar a terapia.
COLESTEROL e COVID
10) Dados epidemiológicos indicam que idosos (acima de 65 anos de idade) constituem a maior parte dos pacientes com quadro mais grave de COVID-19. Isso se deve, dentre outros fatores, à maior prevalência de doenças crônicas nesta população.
11) As estatinas têm propriedades protetoras inclusive em indíviduos de maior idade. Estudos recentes indicam que mesmo em pessoas muito idosas (maiores que 80 anos) há redução de desfechos cardiovasculares com o uso destas drogas.
12) As estatinas, além do seu efeito na redução do colesterol, podem ter um efeito adicional na inflamação, no stress oxidativo e no receptor ACE 2. Em outras infeções virais como H1N1 e influenza seu uso foi associado a redução de hospitalização e morte.
13) Dados preliminares de estudos observacionais indicam que as estatinas são seguras em pacientes com COVID-19 e podem, inclusive, desempenhar um papel protetor. Manter a rotina de tratamento das doenças crônicas, incluindo dislipidemias, é uma importante forma de evitar complicações graves da infecção pelo coronavírus.
14) Pacientes com dislipidemia em tratamento com estatina, ezetimibe ou inibidores do PCSK-9 com síndrome gripal pelo COVID 19, não apresentam maior risco de eventos adversos como aumento de enzimas hepáticas e musculares e mialgia, não devendo suspender as medicações para o colesterol. Pacientes com as formas graves, hospitalizados, devem ser discutidos caso a caso, dependendo do risco versus benefício de interações medicamentosas.
Fonte: SBEM (Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose)

