Diabetes é uma doença metabólica caracterizada pelos níveis elevados de glicose no sangue decorrente de uma deficiência na produção de insulina ou de sua ação. Esta doença constitui-se num dos mais sérios problemas de saúde na atualidade, tanto pelo número de pessoas afetadas, incapacitações, mortes prematuras e custos envolvidos nos seu controle e complicações.
Sabe-se que a hiperglicemia (níveis elevados de glicose) crônica frequentemente leva ao dano de vários órgãos, principalmente olhos, rins, coração e vasos sanguíneos. Entretanto existe uma outra séria complicação relacionada ao diabetes, conhecida como pé diabético.
O pé diabético decorre do comprometimento insidioso sobre as fibras nervosas dos membros inferiores causados pela glicose no sangue elevada, chamada de neuropatia diabética associada à doença arterial periférica. Esta combinação leva a menor sensibilidade à dor ao toque, à pressão sangue para o membro. Este pé insensível está mais susceptível a calos, ferimentos, deformidades, infecções,e consequentemente a amputações.
Dados alarmantes demonstram que a cada 30 segundos uma pessoa no mundo tem um membro amputado em decorrência do diabetes e que 85% das amputações são precedidas por úlceras que poderiam ser evitadas. Resultados obtidos de grupos controlados comprovaram que 1 hora de educação sobre os cuidados com os pés resulta em uma redução de 70% nas taxas de amputações em um período de dois anos. Além disso, a organização de centros especializados em pé diabético, composto por equipes multidisciplinares tem mostrado uma diminuição de 50-80% nas taxas de amputações.
Infelizmente, mesmo conhecendo a relevância destas medidas, estudos brasileiros indicam que 60% dos diabéticos entrevistados, nunca tiveram seus pés examinados nos serviços de saúde e nem receberam orientações sobre como cuidar de seus pés. A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que todo paciente diabético tenha seus pés examinados pelo menos uma vez ao ano por profissional da saúde e que recebam educação ativa sobre os cuidados necessários com os pés, como por exemplo: como cortar as unhas, o tipo de sapato mais adequado, cuidados com higiene, calos etc. (vide quadro abaixo).
Embora quando se fale em diabetes, os holofotes e preocupações foquem na prevenção do infarto do coração, da cegueira e da lesão nos rins, temos um ter em mente que o pé, também é um órgão nobre, pois com eles caminhamos cerca de 100.000 milhas ao longo de nossas vidas, o suficiente para dar quatro voltas no planeta Terra.
A partir de fevereiro de 2013, o Centro de Endocrinologia e Diabetes de Joinville – Endoville, estará oferecendo o serviço de prevenção e tratamento do pé diabético. O “Centro do Pé” é pioneiro no estado. Vamos salvar os pés de nossos pacientes diabéticos, atuando na divulgação, prevenção, educação, e medidas simples, de baixo custo, mas com grande impacto na mudança deste cenário.
Os Doze Mandamentos do Pé Diabético:
- Não andar descalço.
- Não colocar os pés de molho em água quente.
- Cortar as unhas de forma reta para que não encravem.
- Não usar sapatos apertados, bico fino, com sola dura ou tira entre os dedos (chinelo).
- Não tentar remover calos e ferimentos em casa.
- Não usar cremes hidratantes entre os dedos.
- Lavar os pés diariamente e secá-los bem entre os dedos.
- Inspecionar o interior do sapato antes de usá-lo.
- Usar meias de algodão, sem furos, dobras ou elásticos apertados e trocá-las diariamente.
- Verificar os pés diariamente a procura de alguma lesão despercebida.
- Manter os níveis de glicose e hemoglobina glicada bem controlados.
- Os pés devem ser examinados regularmente por um profissional da saúde.
